{"id":68,"date":"2009-11-10T05:39:28","date_gmt":"2009-11-10T08:39:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=68"},"modified":"2012-07-12T23:35:36","modified_gmt":"2012-07-13T02:35:36","slug":"a-festa-do-carmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2009\/11\/a-festa-do-carmo\/","title":{"rendered":"A festa do Carmo"},"content":{"rendered":"<p>A festa em louvor a Nossa Senhora do Carmo \u00e9 a maior manifesta\u00e7\u00e3o profano-religiosa deste povo. Mudaram-se os procedimentos, as pessoas, os costumes, mas a f\u00e9 e o profano continuam os mesmos. A igreja \u00e9 a mesma, a imagem de N. Senhora do Carmo restaurada recentemente e sem a coroa original &#8211; furtada h\u00e1 algum tempo &#8211; continua altaneira em seu altar. Padre Jo\u00e3o e sua batina preta j\u00e1 se foram levando a estola vistosa para as noites de gala. As beatas e o coro tamb\u00e9m se foram para ceder espa\u00e7o aos novos cantores que entoam os hinos ao compasso de atabaques, pandeiros e viol\u00e3o. O velho piano de dona Dulce se calou para sempre e seus acordes se perderam no tempo. Os padres j\u00e1 n\u00e3o usam batina e n\u00e3o rezam as novenas em latim.<br \/>\nA pra\u00e7a da Matriz, palco de grandes embates futebol\u00edstico nos &#8220;babas&#8221; vespertinos, recebia os bancos de madeira &#8211; feitos por caboclo Joel &#8211; que serviam de testemunhas dos galanteios dos jovens e abrigavam as fofoqueiras encalhadas. As barracas de palha deram lugar \u00e0s cobertas com eternit ou pl\u00e1stico mas n\u00e3o t\u00eam o glamour da enorme barraca dos irm\u00e3os Cinco Horas.<br \/>\nOs ternos e gravatas cederam lugar ao jeans e levaram tamb\u00e9m a eleg\u00e2ncia de quem os vestiam. O sino \u00e9 o mesmo, a Quinze e a Lira tamb\u00e9m. As filarm\u00f4nicas j\u00e1 n\u00e3o mais se digladiam, madrugada adentro, apresentando seu rico acervo musical porque perderam terreno para as bandas de ax\u00e9 e outros ritmos em nome da modernidade. Surgiram o &#8220;capeta&#8221; e os capeteiros, o camel\u00f3dromo na pra\u00e7a S\u00e3o Jo\u00e3o, as barracas de lanches e milho verde, os doces da tia Pombinha, os carrinhos de amendoim, pipoca , pururuca e outras guloseimas.<br \/>\nO cheiro que exala das mulheres n\u00e3o \u00e9 Lancaster ou Gard\u00eania, mas a diversidade arom\u00e1tica da Avon, Botic\u00e1rio, Natura e outros mais sofisticados. A Prociss\u00e3o, que percorre ruas e avenidas apoteoticamente, encolheu. Mas a exuber\u00e2ncia e a impon\u00eancia da Virgem Santa Senhora do Carmo continuam irretoc\u00e1veis e o s\u00edmbolo maior de devo\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos continua convergindo pessoas de todos os quadrantes nome da f\u00e9 inquebrant\u00e1vel de um povo que se rende diante de seus b\u00ean\u00e7\u00e3os . A festa do Carmo ser\u00e1 sempre assim&#8230;<br \/>\nFoi num desses 16 de julho, precisamente o de l950, quando a prociss\u00e3o retornava para a Matriz, pela avenida Presidente Vargas, sob o apita\u00e7o dos navios que estavam ancorados ao longo do cais, que Chiggia, jogador uruguaio marcou o segundo gol no goleiro Barbosa e nos tirou o que seria o primeiro t\u00edtulo mundial de futebol. Calou o maracan\u00e3 e entristeceu os fieis naquela tarde-noite. Mas a festa da Padroeira continuar\u00e1 sendo o ponto maior de f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o para os cat\u00f3licos da freguesia de N.S. do Carmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A festa em louvor a Nossa Senhora do Carmo \u00e9 a maior manifesta\u00e7\u00e3o profano-religiosa deste povo. Mudaram-se os procedimentos, as pessoas, os costumes, mas a f\u00e9 e o profano continuam os mesmos. A igreja \u00e9 a mesma, a imagem de N. 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