{"id":63,"date":"2009-11-12T05:41:41","date_gmt":"2009-11-12T08:41:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=63"},"modified":"2012-07-12T23:35:12","modified_gmt":"2012-07-13T02:35:12","slug":"deus-e-o-diabo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2009\/11\/deus-e-o-diabo\/","title":{"rendered":"Deus e o diabo"},"content":{"rendered":"<p>Em 1964 eu entrava , ap\u00f3s exame de admiss\u00e3o, para o gin\u00e1sio Pedro Calmon. Stela Bandeira, Z\u00e9 Carneiro, Nola Batinga, Levita Bittancourt e outros grandes professores eram a b\u00fassula que norteava os destinos de nosso aprendizado. Quantas saudades ! O prefeito era Aurino Mendes que sucedera Dejsnira Rezende de Souza, dona Nirinha, a primeira prefeita de Belnonte. Lomanto Junior governava a Bahia e aqui viera para inaugurar a recemconstruida estrada Itapabi &#8211; Belmonte, rasgando assim mais de sessenta quil\u00f4metros da mata Atl\u00e2ntica. Foi, tamb\u00e9m, o ano do Golpe Militar que movimentou tropas e tanques, no c\u00e9lebre 31 de mar\u00e7o, para derrubar o governo de Jo\u00e3o Goulart que, aliado a Leonel Brizola e Carlos Lacerda, era considerado &#8221; uma amea\u00e7a \u00e0 ordem e as \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do pais &#8221; \u00c9poca dif\u00edcil e de protestos. Come\u00e7ava a\u00ed uma p\u00e1gina negra na vida do Brasil.<br \/>\nAqui nesta terras de areias brancas, os jovens levavam uma vida mansa, dividida entre estudos, esportes (baleado, babas, gudes, pi\u00e3o, arraias) e a esperar pela chegada dos navios Camac\u00e3, Cachoeira, Dois de Julho e outros de menor calado, em tardes de mar\u00e9 grande e muita movimenta\u00e7\u00e3o no cais do porto, local de concentra\u00e7\u00e3o de estivadores, carregadores, desocupados, fam\u00edlias que esperavam parentes vindo da capital, numa opera\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica de atraca\u00e7\u00e3o e desembarque. O apito forte do navio, o sino que determina avante e r\u00e9 ao maquinista, o cheiro de maresia, o lodo do jequitinhonha revolvido pelos h\u00e9lices, faziam daquelas tardes momentos inesquec\u00edveis.<br \/>\nTelevis\u00e3o era um eletrodom\u00e9stico caro e nos acotovel\u00e1vamos para assistir a Discoteca do Chacrinha ou o Ba\u00fa da Felicidade do Silvio Santos na casa de dona Nirinha, onde seu irm\u00e3o Dazu implantou uma torre para captar as imagens televisivas &#8211; mesmo que distorcidas. A pra\u00e7a S\u00e3o Sebasti\u00e3o era o point da paquera . ^\u00c0 noite os jovens giravam em grupos enquanto as &#8221; cantadas &#8221; aconteciam sob os olhares daqueles que preferiam bisbilhotar, sentados aos bancos. Muita conversa para mostrar o grau de politiza\u00e7\u00e3o e do conhecimento dos fatos daquele ano ; falava-se de O Cruzeiro, Pif-Paf, Millor Fernandes, da cria\u00e7\u00e3o do SNI &#8211; que pavor ! &#8211; do BNH, da extin\u00e7\u00e3o da Une, da cria\u00e7\u00e3o do Monoqu\u00edni e do espet\u00e1culo Opini\u00e3o que nos levava a cantar em protesto: &#8221; Podem me prender , podem me bater, podem at\u00e9 deixar-me sem comer, que eu n\u00e3o mudo de opini\u00e3o &#8220;. Ainda neste ano, Glauber Rocha, com uma &#8221; C\u00e2mara na m\u00e3o e uma id\u00e9ia na cabe\u00e7a &#8221; lan\u00e7ou Deus e o Diabo na terra do sol, filme emblem\u00e1tico do cinema novo e de um Brasil que s\u00f3 Deus sabe. Foi assim e muito mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1964 eu entrava , ap\u00f3s exame de admiss\u00e3o, para o gin\u00e1sio Pedro Calmon. 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