{"id":466,"date":"2012-07-18T16:17:14","date_gmt":"2012-07-18T19:17:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=466"},"modified":"2012-07-18T16:17:55","modified_gmt":"2012-07-18T19:17:55","slug":"historia-das-filarmonicas-belmontenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2012\/07\/historia-das-filarmonicas-belmontenses\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria das Filarm\u00f4nicas Belmontenses"},"content":{"rendered":"<p>Belmonte se orgulha de suas tradi\u00e7\u00f5es, de sua mem\u00f3ria, do seu patrim\u00f4nio cultural e, nesse contexto, merecem especial relev\u00e2ncia as sociedades filarm\u00f4nicas, de grande sucesso no final do s\u00e9culo XIX e nas primeiras d\u00e9cadas da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A primeira delas, em Belmonte, foi a Sociedade Filarm\u00f4nica XV de Setembro, ou Sociedade Filarm\u00f4nica de Belmonte, fundada em 15<\/p>\n<div id=\"attachment_468\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Filarm\u00f4nica-XV-de-Setembro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-468\" class=\"size-thumbnail wp-image-468\" title=\"Filarm\u00f4nica XV de Setembro\" src=\"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Filarm\u00f4nica-XV-de-Setembro-350x175.jpg\" alt=\"Filarm\u00f4nica XV de Setembro\" width=\"350\" height=\"175\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-468\" class=\"wp-caption-text\">XV de Setembro<\/p><\/div>\n<p>de setembro de 1895, e carinhosamente chamada de \u00bfQuinze\u00bf pelos seus adeptos e admiradores. A outra era a Filarm\u00f4nica Bonfim, fundada pela fam\u00edlia do Cel. Jos\u00e9 Gomes de Oliveira, que foi intendente municipal, em dois per\u00edodos (1890-1896 e 1896-1899) e integrava uma das mais poderosas fam\u00edlias belmontenses do final do s\u00e9culo XIX, no per\u00edodo \u00e1ureo dos clavinoteiros.<\/p>\n<p>Nos estatutos dessas filarm\u00f4nicas, consta como objetivo principal a cultura da arte musical, incluindo a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de uma escola de m\u00fasica para manter valorizado o seu corpo de estante. Em princ\u00edpio, as filarm\u00f4nicas n\u00e3o tinham car\u00e1ter pol\u00edtico. Todavia, o que se via na pr\u00e1tica era exatamente o contr\u00e1rio, porque elas, no transcurso do tempo, iriam marcar o compasso e dar o tom, n\u00e3o somente nas atividades culturais-recreativas, como tamb\u00e9m nos acontecimentos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Um acontecimento de car\u00e1ter humanit\u00e1rio, relacionado com a Sociedade Filarm\u00f4nica XV de Setembro, ocorreu na epidemia de var\u00edola que assolou a cidade de Belmonte em 1910. A diretoria da filarm\u00f4nica cedeu sua sede social para abrigo dos doentes. Por causa disto, o pr\u00e9dio ficou interditado por alguns anos. Em considera\u00e7\u00e3o ao ato generoso, o governo municipal, atrav\u00e9s da Lei n. 92, de 18 de dezembro de 1911, isentou-a de impostos.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, a Filarm\u00f4nica Bonfim foi desativada. A 07 de dezembro de 1914, numa reuni\u00e3o transformada em assembl\u00e9ia, foi constitu\u00edda a primeira diretoria da Filarm\u00f4nica Lira Popular de Belmonte, que incorporou 17 m\u00fasicos da antiga Filarm\u00f4nica Bonfim e seu instrumental.<\/p>\n<div id=\"attachment_467\" style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Aniversario_da_lyra_00030.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-467\" class=\" wp-image-467 \" title=\"Aniversario_da_lyra_00030\" src=\"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Aniversario_da_lyra_00030-466x350.jpg\" alt=\"Filarm\u00f4nica Lyra Popular de Belmonte\" width=\"326\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Aniversario_da_lyra_00030-466x350.jpg 466w, https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Aniversario_da_lyra_00030.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-467\" class=\"wp-caption-text\">Lyra Popular<\/p><\/div>\n<p>Essas filarm\u00f4nicas estavam vinculadas a grupos pol\u00edticos diferentes, o que ocasionou verdadeiros duelos, n\u00e3o apenas de car\u00e1ter art\u00edstico, como tamb\u00e9m com armas de fogo, por conta dos clavinoteiros que defendiam suas fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A Filarm\u00f4nica de Belmonte, nos anos de 1930, tornou-se simp\u00e1tica ao grupo dos integralistas, formado por italianos e seus descendentes, enquanto a Filarm\u00f4nica Lira Popular estava vinculada ao grupo pol\u00edtico da fam\u00edlia Gomes de Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo relatam as professoras Ariadne da Silva Rocha e Maria Adalcy Rocha Braz\u00e3o Santana (1992), em uma monografia baseada em depoimentos de Faustiniano Henrique do Carmo (Senhorzinho da Lira), no ano de 1919, houve um confronto violento entre homens vinculados \u00e0 Lira Popular e homens do Cel. Alfredo Matos, um dos poderosos da cidade, pessoa ligada \u00e0 Filarm\u00f4nica XV de Setembro.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando o velho Acelino, pai do m\u00fasico da Lira, Felismino Pereira dos Santos, foi espancado por homens do Cel. Alfredo Matos, o que deixou a popula\u00e7\u00e3o revoltada. \u00c0 tarde do mesmo dia, os bandidos tentaram matar o presidente Arist\u00f3teles, o que levou os homens da Lira \u00e0 rea\u00e7\u00e3o, transformando a Rua XV de Novembro em verdadeira pra\u00e7a de guerra. Dias depois, um m\u00fasico da Lira chamado Zeferino foi assassinado.<\/p>\n<p>Passando por altos e baixos, essas sociedades musicais particulares iam marcando o cotidiano da sociedade belmontense, arrastando multid\u00f5es \u00e0s ruas, \u00e0s pra\u00e7as, tanto nas festividades c\u00edvicas e religiosas, como nos acontecimentos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Outro grande momento dessas filarm\u00f4nicas aconteceu em 16 de julho de 1948, dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Belmonte. O presidente da organiza\u00e7\u00e3o das festividades, considerando a import\u00e2ncia da data festiva, que atra\u00eda, como atrai ainda, muitos visitantes, resolveu mandar construir dois coretos para apresenta\u00e7\u00e3o das duas filarm\u00f4nicas: a XV de Setembro e a Lira Popular.<\/p>\n<p>Encerrada a festa religiosa, \u00e0s 9 horas, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o do S. Sacramento, por D. Eduardo, bispo da Diocese de Ilh\u00e9us, come\u00e7aram as apresenta\u00e7\u00f5es musicais. Cada uma das filarm\u00f4nicas procurava apresentar o melhor do seu repert\u00f3rio, uma ap\u00f3s a outra. A cada apresenta\u00e7\u00e3o havia aplausos e vaias.<\/p>\n<p>\u00c0s 5 horas da manh\u00e3, quando o bispo ia celebrar a missa, as duas filarm\u00f4nicas estavam l\u00e1, exaustas, sem qualquer disposi\u00e7\u00e3o de abandonar o posto, nem a pedido do l\u00edder religioso. Somente ao meio dia, foi que os presidentes das respectivas agremia\u00e7\u00f5es subiram simultaneamente aos coretos e desceram com os seus maestros, encerrando assim o duelo musical. Musical apenas porque foi encerrado em tempo: as armas estavam l\u00e1, embaixo dos coretos, prontas para qualquer emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1951, no governo de Regis Pacheco, a Lira Popular participou em Salvador das comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio de Rui Barbosa, como representante das filarm\u00f4nicas do interior da Bahia. Em 1961, j\u00e1 no governo de Juracy Magalh\u00e3es, participou de um concurso de bandas do interior da Bahia, \u00bfSalve Retreta\u00bf, classificando-se em primeiro lugar.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1970, as filarm\u00f4nicas v\u00eam perdendo o seu prest\u00edgio, em raz\u00e3o da populariza\u00e7\u00e3o das bandas modernas, que t\u00eam influenciado na cultura musical, especialmente das gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Contudo, alguns segmentos ligados \u00e0 Secretaria de Cultura do Estado da Bahia est\u00e3o procurando revitalizar essas filarm\u00f4nicas como preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural.<\/p>\n<p>Texto extra\u00eddo da disserta\u00e7\u00e3o BELMONTE, MEM\u00d3RIA, CULTURA E TURISMO: numa (re)vis\u00e3o de Iararana de Sos\u00edgenes Costa, de DURVAL PEREIRA DA FRAN\u00c7A FILHO, apresentada \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o do Mestrado em Cultura &amp; Turismo \u00bf Linha \u00bfA\u00bf (Cultura), da Universidade Estadual de Santa Cruz \u00bf UESC\/Universidade Federal da Bahia \u00bf UFBA, como requisito parcial para obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Mestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<address>FONTE: www.belmontebahia.com<\/address>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belmonte se orgulha de suas tradi\u00e7\u00f5es, de sua mem\u00f3ria, do seu patrim\u00f4nio cultural e, nesse contexto, merecem especial relev\u00e2ncia as sociedades filarm\u00f4nicas, de grande sucesso no final do s\u00e9culo XIX e nas primeiras d\u00e9cadas da segunda metade do s\u00e9culo XX. 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