{"id":244,"date":"2011-08-24T00:24:50","date_gmt":"2011-08-24T03:24:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=244"},"modified":"2012-07-13T00:36:05","modified_gmt":"2012-07-13T03:36:05","slug":"estorias-e-lendas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2011\/08\/estorias-e-lendas\/","title":{"rendered":"Est\u00f3rias e Lendas"},"content":{"rendered":"<p>A cultura regional \u00e9 riqu\u00edssima nas comunidades deste peda\u00e7o de terra do extremo sul baiano, cujos saberes e est\u00f3rias foram passados de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, nos bate-papo de pescadores, trabalhadores rurais, professores, garis, diretores, contadores de causos e gente simples que acreditavam em lendas e supersti\u00e7\u00f5es, tempo em que essa diversidade cultural formava nas consci\u00eancias juvenis, fobias e traumas que se incorporavam \u00e0 personalidade em forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDurante a quaresma, o medo de sair \u00e0 noite, aumentava com a perspectiva de encontrar lobisomem e os seus uivos sinistros, figura h\u00edbrida de homem e lobo, cuja metamorfose acontecia ap\u00f3s o homem se espojar numa encruzilhada, depois das 24 badaladas noturnas (meia-note), da Sexta-Feira Santa. Era a hora da meninada tremer de medo sob o cobertor ou mijar na cama de tanto pavor ao ouvir a cachorrada latir, porque farejou o lobo cabeludo com cara de homem.<br \/>\nMuitas pessoas relatam hist\u00f3rias \u2013 ou est\u00f3rias &#8211; de ter visto a mulher de branco que morreu de tristeza por ter sido abandonada no altar. Outras, contam ter visto o vulto da mula-sem-cabe\u00e7a ou mula-de-padre, passando em disparada pelas ruas, depois do padre local ter sido desrespeitado. Entrar nas matas sem um peda\u00e7o de fumo-de-rolo no bolso para oferecer \u00e0 Caipora, nem pensar, pois fatalmente, voc\u00ea se perderia ou teria dificuldades em retornar para casa. O peda\u00e7o de fumo de corda era o presente que a Caipora ou Saci Perer\u00ea mais gostava para usar no seu enorme cachimbo. Outra pr\u00e1tica para se livrar da Caipora era vestir a roupa pelo avesso ou dar um n\u00f3 na camisa.<br \/>\nQuem n\u00e3o se lembra do costume de espalhar areia branca no ch\u00e3o da casa e salpicar folhas de pitanga? Comentava-se se tratar de culto aos esp\u00edritos dos ancestrais. A coruja, s\u00edmbolo de sabedoria, sempre foi vista como sinal de mau agouro. O seu chilreado noturno sobre o telhado de uma casa era a senten\u00e7a de morte de um ente querido daquele lar. Quantos corajosos n\u00e3o fugiram do fogo f\u00e1tuo que sa\u00eda dos t\u00famulos \u00e0 noite, no cemit\u00e9rio municipal e do Morceg\u00e3o Vampiro que saia em busca de sangue fresco, l\u00e1 pras bandas do matadouro?<br \/>\nEsses elementos culturais se perderam no tempo. As \u201cbrincadeiras de terreiro\u201d perderam seu valor, primeiro com a chegada do Gibi com seus her\u00f3icos personagens, dentre eles o famoso Tarzan, o Cavaleiro Negro, o Zorro e etc., e ainda o advento da internet para dar lugar a her\u00f3is da TV como He Man, Mulher Maravilha, Chaves e outros, seq\u00fcestraram as crian\u00e7as para sess\u00f5es de \u201cbesteirol\u201d onde aprendem \u201ceu tenho a for\u00e7a\u201d ou \u201cvoc\u00eas n\u00e3o contavam com a minha ast\u00facia! S\u00f3 sabemos que ampliaram-se os conhecimentos globalizados, mas se esqueceram das cantigas de roda, do trava-linguas, das adivinha\u00e7\u00f5es, dos causos e est\u00f3rias contados pelos nossos av\u00f3s que sempre conclu\u00edam assim: \u201centrou pelo p\u00e9 do pato e saiu pelo p\u00e9 do pinto&#8230;\u201d quanta saudade!!!!&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura regional \u00e9 riqu\u00edssima nas comunidades deste peda\u00e7o de terra do extremo sul baiano, cujos saberes e est\u00f3rias foram passados de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, nos bate-papo de pescadores, trabalhadores rurais, professores, garis, diretores, contadores de causos e gente simples que acreditavam em lendas e supersti\u00e7\u00f5es, tempo em que essa diversidade cultural formava nas consci\u00eancias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4],"tags":[],"class_list":["post-244","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-causos-da-terra","category-colunas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}