{"id":170,"date":"2010-09-25T23:54:08","date_gmt":"2010-09-26T02:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=170"},"modified":"2012-07-13T00:20:47","modified_gmt":"2012-07-13T03:20:47","slug":"ah-um-gole","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2010\/09\/ah-um-gole\/","title":{"rendered":"AH! UM GOLE !!!"},"content":{"rendered":"<p>O povo \u00e9 pr\u00f3digo em criar express\u00f5es que, logo logo, se incorporam aos usos e costumes. Aqui entre n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 diferente este poder de cria\u00e7\u00e3o. Ao longo dos anos criaram-se bord\u00f5es que foram usados instintivamente no dia-a-dia, quando se justificava a express\u00e3o. S\u00e3o exclama\u00e7\u00f5es rotineiras nas conversas populares sem o devido cuidado da linguagem polida.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 ele\u201d, por exemplo, \u00e9 gen\u00e9rico para justificar que o problema n\u00e3o \u00e9 seu, mas sim de outra pessoa. \u201cMeu colega\u201d expressa a inten\u00e7\u00e3o de que seu interlocutor \u00e9 chifrudo, como voc\u00ea. \u201cV\u00f4 Te\u201d funciona como adv\u00e9rbio de nega\u00e7\u00e3o ou espanto, do mesmo modo que \u201cescroto\u201d deixa de exercer a sua fun\u00e7\u00e3o reprodutiva masculina para identificar o sujeito sem \u00e9tica e de mau car\u00e1ter, detestado por todos. \u201cBaranga\u201d \u00e9 mulher feia, \u201cmeu rei\u201d \u00e9 o cara legal, do mesmo modo que \u201cficar\u201d \u00e9 namorar sem compromisso, e por a\u00ed vai. \u201cSifu\u201d, \u201cqual\u00e9\u201d, \u201cvai dar\u201d, \u201csai fora\u201d, e \u201ctudo dentro\u201d s\u00e3o outras p\u00e9rolas do invencionismo local.<\/p>\n<p>Conviver com bord\u00f5es \u00e9 t\u00e3o natural quanto apelidar as pessoas por um detalhe qualquer. No mundo art\u00edstico as personagens ficam mais populares pelos bord\u00f5es criados. Quem n\u00e3o se lembra de alguns que marcaram \u00e9poca como \u201ceu, hein!\u201d, \u201cVoce s\u00f3 pensa naquilo\u201d, \u201cto pagando\u201d, etc. Sempre h\u00e1 um motivo para o aparecimento e seu respectivo uso.<\/p>\n<p>Assim, ficou muito conhecido e propalado o \u201cAh! Um gole!\u201d trazido por um palha\u00e7o denominado Xumbrega, que era a alegria da garotada, pelo uso de seu bord\u00e3o quando achincalhava seu partner. O povo da cidade logo incorporou esta express\u00e3o para demonstrar insatisfa\u00e7\u00e3o com algo contradit\u00f3rio. Numa das noites, antes do espet\u00e1culo circense come\u00e7ar, na porta do circo a cabriola esperava uma oportunidade para driblar os mata-cachorros, fiscal da cerca do circo, para mergulhar sob a lona. Dois meninos se desentenderam e resolveram acertar as diferen\u00e7as no bra\u00e7o, numa roda de sem-que-fazer que tudo assistia sem interferir. Em frente ao circo, morava o Delegado de Pol\u00edcia, que percebendo o tumulto atravessou a rua, separou os brig\u00f5es e aproveitou para criticar a irresponsabilidade daquela massa barulhenta que logo silenciou. Terminado o serm\u00e3o do Delegado naquele sil\u00eancio reinante entre os presentes, oportunidade em que a autoridade policial retornava para sua casa, quando um garoto, escondido na multid\u00e3o, gritou em alto e bom som: \u201cAh um Gole!&#8230;O delegado retornou esbravejando, irritado, tentando identificar o moleque, prometendo cadeia sem contudo localiz\u00e1-lo. E tudo acabou quando o partner anunciou pelos alto falantes: Senhoras e Senhores! &#8230; O espet\u00e1culo vai come\u00e7ar!!!..<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo \u00e9 pr\u00f3digo em criar express\u00f5es que, logo logo, se incorporam aos usos e costumes. Aqui entre n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 diferente este poder de cria\u00e7\u00e3o. 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