{"id":151,"date":"2010-12-12T23:38:55","date_gmt":"2010-12-13T02:38:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=151"},"modified":"2012-07-13T00:19:39","modified_gmt":"2012-07-13T03:19:39","slug":"canoeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2010\/12\/canoeiros\/","title":{"rendered":"Canoeiros"},"content":{"rendered":"<p>Como era \u00e9pico subir o Jequitinhonha em tempos idos. A canoa a remo comandada pelo remador experiente e tracionada pelos fortes m\u00fasculos de seu proeiro que andava das quatro da manh\u00e3 \u00e0s l8:00 brandindo sua vara de birindiba, colada \u00e0 borda da canoa e escorada a seu peito calejado pela lida di\u00e1ria. As grandes canoas eram os ve\u00edculos de conduzir mercadorias, rio acima e descer o Paticha \u2013 denomina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Jequitinhonha \u2013 transportando o cacau, riqueza de sustenta\u00e7\u00e3o regional. As robustas canoas, originadas de frondosos ip\u00eas da secular Mata Atl\u00e2ntica, ostentavam uma cobertura feita de brotos do limoeiro e coberta por encerado locomotivo, a quem todos chamavam de \u201c boi \u201c e que servia para abrigar as pessoas do sol e da chuva e local do merecido descanso do labor di\u00e1rio quando do pernoite numa praia segura. A parte traseira da embarca\u00e7\u00e3o recebia uma trempe r\u00fastica para cozinhar feij\u00e3o com carne seca e toucinho em panela de barro, que fervia espalhando o odor agrad\u00e1vel da feijoada feita no fog\u00e3o de lenha, com toras de fruta-de-pato, madeira de excelente fama na cozinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e3os calejadas, aqueles remadores, n\u00e3o temiam as intemp\u00e9ries da natureza nem o Jequitinhonha \u201calagado\u201d (cheio) ou totalmente seco impedindo a navega\u00e7\u00e3o franca, obrigando os valentes canoeiros a cavar o leito do rio para desencalhar suas canoas carregadas com mais de oitenta sacas de cacau. O dia-dia dos canoeiros era de muita luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acordavam na fuma\u00e7a do gongo \u2013 at\u00e9 hoje n\u00e3o encontrei um significado para essa express\u00e3o &#8211; e trabalhavam por longas horas sem direito a interrup\u00e7\u00e3o , sen\u00e3o quando o nordeste, vento que sopra do Atl\u00e2ntico, ajudava soprando a vela com mais de 20m2, fixada altaneira ao barrote de proa, presa \u00e0 escota sob o comando do mestre remador.<\/p>\n<p>As popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas do vale do Jequitinhonha n\u00e3o teriam sobrevivido sem o advento da canoa, numa regi\u00e3o fluvial, sem rodovias e de muita riqueza. A canoa abastecia as fazendas at\u00e9 Cachoeirinha, conduzindo feij\u00e3o, a\u00e7\u00facar caf\u00e9, farinha, charque, querosene, rem\u00e9dios e pessoas, retornando, rio abaixo, sob o c\u00e2ntico sono e cadenciado da voga, trazendo o cacau acondicionado em sacas de quatro arrobas, porcos, galinhas, bananas, jacas, passageiros e os arrojados canoeiros que a cada curva do rio aumentava a saudade de sua fam\u00edlia que os esperava no cais do porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No silencio da subida e na solid\u00e3o da descida do Jequitinhonha os canoeiros aprendiam a respeitar a \u201cmareta\u201d (banzeiro ou marola), os tocos submersos , o cangurupim, os marimbondos de oco, o rebojo do Rio Grande e seus canais, alem de adquirirem conhecimento sobre cura com plantas e ervas, astronomia, lideran\u00e7a e rela\u00e7\u00f5es humanas. Assim era a vida dos canoeiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como era \u00e9pico subir o Jequitinhonha em tempos idos. 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