{"id":149,"date":"2010-11-12T23:37:54","date_gmt":"2010-11-13T02:37:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=149"},"modified":"2012-07-13T00:20:29","modified_gmt":"2012-07-13T03:20:29","slug":"babaco-e-a-bicicleta-de-maroca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2010\/11\/babaco-e-a-bicicleta-de-maroca\/","title":{"rendered":"Babaco e a Bicicleta de Maroca."},"content":{"rendered":"<p>Babaco era o homem melodia desta terra. Pensava, vivia e respirava m\u00fasica. Profundo conhecedor de teoria musical, vivia alegre, assoviando acordes que davam vida a dobrados em partituras que se perpetuaram. Simples, de uma fidelidade e cumplicidade a sua companheira Maroca e sempre pronto para explicar uma seq\u00fc\u00eancia de acordes aos seus disc\u00edpulos, Babaco envelheceu e morreu sem perder a alegria \u2013 e sabedoria \u2013 pr\u00f3prias dos homens diferentes.<br \/>\nRecebeu na pia batismal o nome de Barcelar com o qual n\u00e3o tinha identifica\u00e7\u00e3o porquanto preferia o popular Babaco, carinhoso e mais apropriado para as \u201cmolecagens\u201d criadas nas rodas de amigos. Averso a bens materiais, Babaco ganhou de sua querida Maroca, uma bicicleta, novidade em tempos dif\u00edceis, mas de m\u00faltiplas utilidades nesta cidade plana, de tra\u00e7ados retos e de muita areia nas vias que ligavam Biela a Ponta de Areia. E l\u00e1 se ia Babaco, \u201cbarbeirando\u201d a sua preciosa bicicleta, comprar peixe na Tarifa \u2013 at\u00e9 hoje eu n\u00e3o sei por que n\u00e3o Mercado de Peixes? &#8211; ou seguindo o cheiro do caf\u00e9 torrado na hora, na Torrefa\u00e7\u00e3o de Lula. Vez por outra, ia \u00e0 Ponta de Areia comprar no armaz\u00e9m de Quintino que tinha a fama de vender mais barato e passar o troco a mais, como estrat\u00e9gia para aumentar a clientela.<br \/>\nBranquinho, mirradinho, l\u00e1 ia Babaco solfejando, garbosamente pilotando o seu bem material mais importante, a bicicleta, presente de Maroca. Babaco, digamos assim, era \u201cfissurado\u201dpela sua preciosa Monark, marca de sua prefer\u00eancia, todavia se algu\u00e9m, inopinadamente, a chamasse de Caloi de bucha ! ,Babaco fingia um acesso de convuls\u00e3o e representava uma queda cinematogr\u00e1fica. A representatividade e a encena\u00e7\u00e3o faziam parte de seu cotidiano, A sua alegria e jovialidade contagiavam a todos que o cercavam. Maroca, sua fiel companheira, \u00e0s vezes se irritava quando o ass\u00e9dio a Babaco era demais, por\u00e9m, ele o maestro, sabiamente harmonizava os acessos \u2013 e excessos \u2013 reativos de Maroca, sua eterna escudeira.<br \/>\nO acervo musical deixado por Babaco deve estar esquecido em alguma pasta empoeirada por a\u00ed. Todos aqueles que conviveram com Babaco, como disc\u00edpulos ou amigos, s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que v\u00e1rios dobrados, marchas e tantas outras partituras est\u00e3o adormecidos em alguma prateleira, necessitando que os encontrem para constar na Hist\u00f3ria Musical desta terra, ao lado de grandes Maestros como Santa F\u00e9, Silvino, Antonio Bispo, Ricardo, Jo\u00e3o de Lila, Adilson e outros. O refr\u00e3o da m\u00fasica de sua autoria ecoa em nosso passado menino: A bicicleta de Babaco \u00e9 de Maroca, \u00e9 de Maroca&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Babaco era o homem melodia desta terra. Pensava, vivia e respirava m\u00fasica. Profundo conhecedor de teoria musical, vivia alegre, assoviando acordes que davam vida a dobrados em partituras que se perpetuaram. 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