{"id":131,"date":"2009-11-22T23:27:44","date_gmt":"2009-11-23T02:27:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.maisbn.com\/portal\/?p=131"},"modified":"2012-07-12T23:29:42","modified_gmt":"2012-07-13T02:29:42","slug":"pedro-careca-coruja-e-vitor-pinguelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maisbn.com\/portal\/2009\/11\/pedro-careca-coruja-e-vitor-pinguelo\/","title":{"rendered":"Pedro Careca, Coruja e Vitor Pinguelo"},"content":{"rendered":"<p>Tenho recebido, ultimamente, v\u00e1rios e-mail de amigos contempor\u00e2neos que s\u00e3o eleitores contumazes de &#8220;Causos da Terra&#8221; e suas hist\u00f3rias, vivenciadas em tempos passados. E, como tal, lembraram-me de Pedro Careca, Coruja e Vitor Pinguelo, dentre outros que conviveram com a nossa meninice.<br \/>\nComecemos, pois, por Pedro Careca que em sua estatura pequena carregava a grandiosidade de um homem educado e gentil, a distribuir favores diversos \u00e0s senhoras donas de casa, como bater bomba para encher a caixa d&#8217;\u00e1gua ou comprar temperos e recolher o lixo do quintal , em troca de uma caneca de caf\u00e9 ou um prato feito, apimentado. Pedro Careca nunca dizia n\u00e3o e jamais se zangava, mesmo quando a molecada bradava: Pedro Careca, ladr\u00e3o de moqueca ! Ele sorria, desconversava e ia &#8220;cerrar&#8221; um picol\u00e9 na sorveteria de Z\u00e9 Oliveira, na antiga Usina de Luz. Com a mesma simplicidade que viveu, partiu para sempre, levando a sua fleuma e simpatia dentro do seu palet\u00f3 surrado.<br \/>\n&#8220;Coruja, um nome que eu dei a certo algu\u00e9m, que passa e nem se quer olha ningu\u00e9m, pensando s\u00f3 dar ela no lugar&#8221;&#8230; Este era o refr\u00e3o da m\u00fasica Coruja, sucesso da Jovem Guarda, que ati\u00e7ava a velha octogen\u00e1ria a xingamentos indecorosos quando a corja dos \u2018sem-o-que-fazer&#8221; mexia com aquela senhora de olhos grandes &#8211; origem do apelido-, len\u00e7o na cabe\u00e7a amarrado sob o queixo, um guarda-chuva na m\u00e3o e um c\u00e3o vira-latas, seu fiel companheira, sempre a seu lado. Os palavr\u00f5es eram t\u00e3o fortes e o latido pavoroso de seu cachorro feroz que os meninos corriam em debandada pelas areias escuras da rua Severino Vieira, entre as casa da professora Belazinha e de dona Ica, dos famosos pirulitos. Era uma festa para a garotada para tristeza da inofens\u00edvel Coruja que sempre dizia:&#8221;menino \u00e9 o capeta em figura de gente&#8221;&#8230;<br \/>\nBotei aipim no fogo e chamei guelo pra comer, vamos comer aipim, guelo?&#8230; Vitor Pinguelo n\u00e3o podia ouvir esse refr\u00e3o porque aflorava em si outra personalidade, contr\u00e1ria a seus princ\u00edpios de homem religioso. Homem simples, bem vestido, beato de carterinha, cabelos longos lambuzados com brilhantina Glostora, penteados rente ao couro cabeludo, dava-nos a id\u00e9ia de um &#8220;sir&#8221; da aristocracia inglesa. Mas n\u00e3o passava de um simples cidad\u00e3o de bem, quando n\u00e3o ouvia a famosa musiquinha do aipim no fogo. A transforma\u00e7\u00e3o era instant\u00e2nea: xingamentos, palavr\u00f5es, pragas, agressividades e uma mudan\u00e7a radical em seus h\u00e1bitos para deleite dos &#8220;pestinhas&#8221; que sempre fugiam em acelerada algazarra da ira do amargurado anci\u00e3o. \u00c0 noite, estava Vitor Pinguelo, na Igreja S\u00e3o Sebasti\u00e3o, se redimindo de seus pecados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho recebido, ultimamente, v\u00e1rios e-mail de amigos contempor\u00e2neos que s\u00e3o eleitores contumazes de &#8220;Causos da Terra&#8221; e suas hist\u00f3rias, vivenciadas em tempos passados. E, como tal, lembraram-me de Pedro Careca, Coruja e Vitor Pinguelo, dentre outros que conviveram com a nossa meninice. 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